terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nossa verdade...


A verdade sobre a nossa verdade é que ela vai aparecendo aos poucos. Ela apareceu um pouquinho quando você era pequena e sua mãe não quis dar aquela boneca que você pediu, depois apareceu por mais uns instântes quando você descobriu que o menino que você achava que te paquerava, na verdade gostava da sua melhor amiga, depois veio com as notas ruins que você foi tirando na faculdade... e agora, mais um pouco, com as perdas e conquistas que foram acontecendo. O problema é que uma vez que ela aparece, ela nunca mais vai embora e com isso, algumas vezes, você acaba esquecendo do jeito que você era antes dela aparecer. Não... isso não é ruim... E eu sei bem disso. Porque hoje, quando eu olho pra trás e vejo tudo e todos que passaram, sinto orgulho de ainda estar aqui, um pouquinho de medo do que pode acontecer, mas aquele ar de vontade, que vence o medo, de viver o que vier por ai.
O fato é que você não vai descobrir a sua verdade aos 15, nem aos 20, nem aos 25 e talvez nem depois dos 30... Você pode nunca saber... Ou desconfiar quando você olhar seu filho brincando, seu marido te olhando ou seu trabalho sendo reconhecido... E pode até ter certeza quando nada disso acontecer. Mas é preciso olhar... perceber cada movimento, cada instante e cada detalhe que passa.
A verdade sobre a nossa verdade é que ela vai sendo construída com o tempo e você nem percebe. Quando você vê, ela está lá... bem na sua frente há muito tempo e você nem percebeu. E sabe de uma coisa?... Ela é mais linda do que você tinha imaginado!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Thank you!

Ele não sabe mais (quase) nada sobre mim.
Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática, e sem aquela necessidade toda de ser amada.
Ele não sabe quantos livros puder ler em algumas semanas.
Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos.
Ele não sabe (...) mas conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranquilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto. Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos.
Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco.
Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos.
Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim.
Ele não sabe (...) que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre.
Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura.
Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso.
Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha.
Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais (quase) nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.

domingo, 24 de abril de 2011

And the reality comes....

"- Eles foram muito ingênuos em acreditar que passariam a vida toda juntos.
- E o que aconteceu?
- A vida aconteceu. Coisas acontecem. O tempo acontece. É quase sempre a mesma coisa mais ou menos.
- Talvez um deles tenha fugido com outra pessoa.
- Talvez o sentimento tenha acabado."

(Um Beijo Roubado)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

I wanna believe!

Sempre fui um pouco iludida quanto ao amor. Sempre acreditei demais nisso.
Talvez seja por causa dos incansáveis filmes da Disney. Ou por eu sempre ver meus pais juntos. Ou até mesmo por passar horas na frente da tv assistindo séries e novelas que mostram isso.
A gente sabe que as coisas não acontecem assim. Seu "príncipe encantado" não vai bater na sua porta com um sapatinho de cristal na mão falando que você é o amor da vida dele. Muito menos vai aparecer no meio da noite e vai te dar aquele beijo pra você acordar (nesse caso, ao invés de acordar você morreria... e de susto ainda por cima!).
Mas acho que eu parei. Parei de imaginar o cara perfeito junto com a casa perfeita e os filhos perfeitos porque isso não existe. E eu tenho plena noção disso porque eu vivo num mundo onde nada é perfeito. Muito menos eu. E chega uma hora em que você quer mais é que as coisas aconteçam e para de idealizar tudo aquilo.
Não vou mentir e nem ser hipócrita em falar que eu não acredito mais no amor. Muito pelo contrário. Acredito sim. E muito ainda! Só que eu quero acreditar no amor real. No amor que faz a gente querer mais. Que faz a gente crescer por dentro e por fora. No amor daquele casal de velhinhos que ainda passeiam de mãos dadas, mesmo brigando toda noite por causa da toalha molhada em cima da cama ou por causa da quantidade de remédios que ela toma.
Quero acreditar no amor que cresce. Que se mantém. Que muda. Que faz você não conseguir ficar longe, por mais que por perto seja um caos. Que faz você enxergar melhor, ouvir melhor e sentir melhor. Muito melhor. Sentir tudo e todos. Principalmente você mesmo.
No amor que você se baseia e se influencia pra qualquer momento da sua vida. No amor que você sabe que pode confiar e que haja o que houver, ele vai estar ali... esperando por você.
Não achei esse amor ainda. Talvez ele já tenha vindo e eu o deixei ir embora. Talvez ele não tenha nem aparecido. Mas hoje, diferente de tempos atrás, não espero um conto de fadas. Espero um amor real. Real mesmo. Com brigas, com telefonemas no meio da noite, com cíumes e com conversas intermináveis que fazem você querer continuar sempre.
Na verdade, eu quero acreditar que vale mesmo a pena se dedicar, arriscar e se machucar todas as vezes. Mas principalmente quero acreditar que ele é real e que ele existe de verdade.




"Look at the stars. Look how they shine for you. And everything you do. Yeah, they were all yellow"

[Yellow - Coldplay]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Love song for no one

"Pedi uma definição ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano real: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto e aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. Acho que fiz bem."

- Caio Fernando Abreu

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

But if you never try you'll never know...

Há uns duzentos anos atrás, Benjamin Franklin compartilhou o segredo de seu sucesso com o mundo. Ele disse “nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. Esse é o cara que descobriu a eletricidade. Então, é normal achar que a maioria de nós iria ouvir o que ele fala… Eu não tenho idéia porque a gente fica adiando as coisas, mas se eu tivesse que chutar, diria que tem muito a ver com o medo. Medo do fracasso. Medo da dor. Medo da rejeição. Às vezes, o medo é de apenas tomar uma decisão, porque e se você estiver errado? E se você fizer um erro que não dá pra desfazer? Seja lá do que a gente tem medo, uma coisa é sempre verdade: com o tempo, a dor de não ter tomado uma atitude fica pior do que o medo de agir. Acaba parecendo que a gente está carregando um tumor gigante. E, não, eu não estou falando metaforicamente. […]
“Deus ajuda a quem cedo madruga”; “é melhor prevenir do que remediar”. “Bobeou, dançou”. Não podemos fingir que nunca escutamos essas. Todos nós já ouvimos os provérbios, os filósofos, os nossos avôs nos falando para não perdermos tempo, aqueles poetas chatos clamando para gente “aproveitar o dia”. Ainda assim, às vezes a gente tem que pagar para ver. Temos que cometer nossos próprios erros. Temos que aprender nossas próprias lições. Temos que varrer as possibilidades do hoje pra baixo do tapete do amanhã até não podermos mais, até que a gente compreenda por si só o que Benjamin Franklin quis dizer. Que o saber é melhor que o ponderar, que o despertar é melhor que o sonhar. E que mesmo a maior falha, mesmo o pior erro possível, é melhor do que nunca tentar nada.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Fomos perfeitos

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjUUXSmQKm3x-PaZNRlIz2v4WromiHSsGdGJVAJQAS2maA5GyMWYrdZQUgvIPM3z4Lhst2c01EKn4WPbXM7Um659a-84pHA3scEyg8QJMC9_YhjdyZzy79OdjKaMmax8Ilycn9WL5RSYWq/s400/separa%C3%A7%C3%A3o.jpg

Segurei sua mão antes de atravessar a rua.
E de repente, pensei: acho que quero esse homem para sempre.
Você e seu jeito engraçado de ser elegante, seu jeito elegante de ser engraçado.
Com você fui até meio mulherzinha. Foi naquele jantar, em que eu deixei você escolher o prato para mim. Logo eu, que chegava aos lugares com o menu lido previamente pela internet e que costumava indicar os pedidos que os outros deveriam fazer. Você me quebrou, me deixou gaga.
Você segurava minha mão sobre a mesa, onde uma luzinha de vela iluminava o estreito espaço entre nós. E eu nunca mais iria querer ser sozinha na minha vida se tivesse você me mimando daquele jeito, a segurar minha mão, a me indicar pratos, a me servir taças de vinho e a me fazer querer você para sempre.
Um pouco era só por causa daquela entrada que você tinha do lado direito da testa. Outro pouco era porque você tinha aquele olhar safado/cavalheiro de Matthew Mcconaughey. Ou talvez fosse só porque você era quentinho num dia frio.
Eu gostava particularmente da manhã. Você era mais perfeito do que em outras horas do dia, pela manhã. Seus braços davam a volta no meu corpo e eu me sentia sedutoramente pequena e franzina. Acho que poderia me sentir pequena e franzina para sempre, ali. Eu ficava na cama e você ia se arrumando enquanto o quarto se perfumava com o seu perfume. Então, você se vestia. Nunca houve no mundo alguém que ficasse tão bem em uma camisa branca.
Depois do misto quente e do suco que você trazia, a gente saía. Você segurava minha mão e assim ficava fácil de a vida ganhar sentido. Acontecia em cada esquina, quando a gente parava para esperar os carros e você me beijava. E segurava a minha mão. E me beijava de novo. E de repente, eu pensei: acho que quero esse homem para sempre.
De mim você não esperou nada de elementar. De mim, eu sei, você sentiu saudade logo depois. Mas foi como num trecho de Lygia Fagundes Telles que o resto aconteceu.
O meu "para sempre" virou um casamento com os mistérios. O seu "para sempre" eu nunca soube.
Eu só sei que é do toque morno das suas mãos sobre meu rosto frio que eu me lembro...
Toda vez que a temperatura cai.